Moeda digital: O começo da idéia

Com a popularidade das moedas digitais, decidi relembrar o capítulo do livro Cypherpunks em que o assunto é discutido. Na época de lançamento do livro (2011) o público que conhecia as moedas digitais era pequeno e formado principalmente pelos usuários da chamada Deep Web, uma rede anônima que, consequentemente, usava modos de pagamento anônimos. Mas desde antes das moedas digitais alcançarem a fama, o livro já debateu sobre a implantação do uso da moeda no dia a dia.

No livro são citadas três liberdades básicas: a liberdade de circulação (isto é, a capacidade de transitar de um lugar a outro livremente), a liberdade de pensamento e a liberdade de comunicação, que é inerente à primeira. Dentre essas três liberdades podemos citar também a liberdade de interação econômica, que também se relaciona intimamente à privacidade das interações econômicas.

Os cypherpunks, que presam pelo anonimato através de criptografia, vem tentando proporcionar essa liberdade desde o começo do movimento, na década de 1980. De lá pra cá eles vem querendo criar sistemas que nos permitissem pagar uns aos outros de maneira verdadeiramente livre, sem interferência.

Isso teve início em 1990 quando David Chaum funda a DigiCash, uma empresa voltada a estudos da área. Até que finalmente em 1993 ele inventa a primeira moeda digital criptográfica, a ecash, que era centralizada e tinha envolvimento de bancos, mas sem que eles pudessem rastrear as transações que envolviam a moeda.

Apesar de não causar tanto barulho na época, a idéia foi revolucionária e inspirou o movimento cypherpunk, que buscava alternativas para uma economia livre, inclusive de forças repressoras. A discussão a respeito de economia entre os hackers voltou a fazer barulho com o destaque nos telejornais ao WikiLeaks na divulgação de uma série de notórios documentos, em 2010. O WikiLeaks sempre foi financiado por apoiadores mas após esse episódio passou a sofrer bloqueios de grandes instituições financeiras que cederam à pressão dos EUA e passaram a negar serviços financeiros ao WikiLeaks.

A partir daí houve um maior envolvimento de hackers na economia. O grupo Anonymous, que no começo eram apenas trolls de internet e depois passaram a ter caráter ativista (recomendo fortemente assistir o documentário We Are The Legion), apoiou fortemente o WikiLeaks derrubando os sites das operadoras de cartão de crédito que suspenderam as doações. Isso causou um medo coletivo entre as empresas, que sempre que tomassem uma posição contrária poderiam ter seus seviços derrubados (o famoso tango down). A parceria durou até que em 2012 o WikiLeaks passou a cobrar uma taxa para que os usuários tivessem acesso aos documentos. O Anonymous não concordou com a posição e acabou rompendo relações.

O livro fala que no mundo pós-internet as liberdades citadas anteriormente sofreram alterações com exceção da liberdade de circulação, que permaneceu inalterada. A comunicação muito expandida em alguns aspectos facilitando a comunicação mas por outro lado foi reduzida pela falta de privacidade e pela comunicação poder ser interceptada. E a econômica? Desde que o livro Cypherpunks foi lançado as moedas virtuais entraram numa enorme crescente, mas na época em que foi discutido falava-se justamente do quão revolucionário seria se elas pudessem ser usadas no dia-a-dia.

Procurei explicar um pouco da história das moedas digitais para mostrar que não é apenas mas uma modinha tecnológica e sim que há toda uma ideologia libertária envolvida.

Referência para mais informações:

ASSANGE, JULIAN. Cyperpunks: Liberdade e o Futuro da Internet, capítulo 8 . Boitempo Editorial, 2011.

Revisado em 06/09/2017

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s