Pirataria na voz do povo e o surgimento do Crowdfunding

Já se foi o tempo em que a palavra pirataria tinha apenas um sinônimo: crime. As pessoas começaram a se familiarizar com as práticas ditas piratas por poderem usufruir de bens livremente e ainda compartilhar isso com outras pessoas. A partir dessa percepção abriram-se horizontes, ficando mais evidente a verdadeira filosofia por trás do compartilhamento de informação.

No começo o que mais se popularizou foi o compartilhamento de música, a partir de 1999, quando surgiu o Napster. Com a ferramenta era possível baixar qualquer música no seu computador,  ouvir o quanto quiser e, claro, compartilhá-la com outras pessoas. A ferramenta teve um grande índice de aprovação pelas pessoas mas incomodou quem estava deixando de ganhar dinheiro com isso. E passou a incomodar mais quando as pessoas perceberam o quanto de dinheiro a indústria estava ganhando em cima das pessoas por restringir o acesso à informação e ainda querendo impor quais seriam as novas tendências e o que elas deveriam ouvir.

Na verdade, a prática de cópia não surgiu nessa época. A cada evolução dos formatos de mídia sempre houve cópia, foram assim com fitas k-7, VHS e  cópias em CDs e DVDs virgens. Pouca gente sabe mas isso também constitui pirataria, pois pelo contrato criado pela indústria, ao comprar um CD ou DVD você se compromete a não distribuir seu conteúdo pra nenhuma outra pessoa, somente você pode ter acesso. Ou seja, até o simples fato de você emprestar um CD para outra pessoa seria ilegal, de acordo com esse contrato.

Com essa “crise”, as gravadoras independentes ganharam mais visibilidade. Como citado pelo jornalista Marco Antônio Barbosa, “no meio desse tiroteio, os selos independentes seriam tropas de guerrilha, em comparação à artilharia pesada das multinacionais. Pequenos e sem muitos recursos, compensariam com a agilidade que falta às poderosas multis”. Assim, os artistas estavam cada vez menos  presos à necessidade de ter uma grande gravadora e agora estavam conseguindo se promover com mais facilidade.

Culturalmente estava mudando a visão de como era vista a música e cada vez estavam se discutindo maneiras alternativas. A partir de toda essa discussão surgiu o conceito de crowdfunding, que na verdade é um novo nome para a prática de financiamento coletivo que já era praticada. Consiste em um artista expor sua idéia e quanto precisa para lançá-la, daí quem se interessar pela idéia contribui financeiramente e a idéia é transformada em produto se atingir o capital necessário.

Um fator importante é que o material só é lançado se tiver gente o suficiente interessada para cobrir os gastos, fazendo com que o artista não tenha prejuízo. Perfeito! A indústria fonográfica deveria ter dedicado mais tempo pensando em uma alternativa baseado na vontade do povo ao invés de ficar só tentando combater a pirataria impondo que as pessoas seguissem o que a própria indústria ditasse.

As pessoas não querem pagar por um produto porque é caro, os comerciantes acham caro mas vendem nesse preço por causa dos impostos. Se seguirmos essa linha de raciocínio, por processo de eliminação, chegaremos ao verdadeiro culpado por isso.

Revisado em 06/09/2017

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s