MtGox: O maior problema foi da empresa

Para quem não sabe, a MtGox era considerada a mais famosa exchange de bitcoins, e ficou ainda mais famosa depois do caso de sumiço de suas bitcoins, deixando muitos usuários na mão. Muitos anti-criptomoedas adoraram o ocorrido e soltaram aquele velho “eu avisei que isso não ia dar certo”. Mas não foi dessa vez, o problema foi outro.

O dia era 7 de fevereiro de 2014. Os saques haviam sido suspensos pela exchange sob justificativa de que era pra corrigir uma falha de segurança envolvendo transações que, dentre outras coisas, permitia alterar o estado da transferência fazendo com que uma transferência concluída pudesse ser feita novamente. Era pra ser apenas um reparo temporário quando durante o processo o chefe da MtGox, Mark Karpeles, deixa a Bitcoin Foundation. Dias depois o site fechou e o perfil do Twitter teve todas as mensagens apagadas. Em seguida, veio a bomba: no site da exchange aparece uma mensagem dizendo que todas as transações foram fechadas. O motivo, segundo o site, seria para proteger o serviço e os usuários. Os clientes haviam então perdido seu dinheiro.

Foram ao todo 744 mil bitcoins desaparecidos. Diante desse cenário, se fosse levado para o lado do dinheiro usual já haveria uma movimentação do Banco Central para a possibilidade de salvar o banco. E mais importante: como fica a situação do ressarcimento do dinheiro? Atualmente existe o Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que é uma espécie de seguro para quem tem dinheiro depositado, onde as instituições financeiras pagam um valor mensal. Normalmente é uma entidade pública mas no Brasil ela é privada, criada pelas próprias instituições financeiras. Para mais informações, há um FAQ sobre isso.

Diante de toda essa confusão, em 7 de março a MtGox afirmou que encontrou uma carteira com 200 mil bitcoins que haviam sido armazenados offline por questão de segurança, prática que também é comum que os bancos façam com as cédulas. Mas e o que aconteceu com os outros quase 650 mil de bitcoins que sumiram?

Um hacker teve acesso aos dados de Karpeles e constatou que ele possuía uma boa quantidade de bitcoins, suficiente para ressarcir os usuários. Mais detalhes nesse link. Tal atitude chegou a me lembrar do filme O Plano Perfeito (Inside Man), onde um aparente vilão invade um banco mas com a intenção de mostrar a fraude por trás do banco e de todo o enriquecimento ilegal por parte de seu dono.

Até o momento em que foi publicado esse texto, Karpeles havia sido preso no Japão e estava esperando julgamento. Falta saber se, mesmo condenado, como deverá ser feito o ressarcimento aos clientes, uma vez que a descentralização do bitcoin implica na falta de FGC, o que pode deixar muitas pessoas receosas em investir na utilização da moeda após esse caso. Há uma grande comunidade e até mesmo grandes empresas interessadas na evolução da cripto-moeda, então esperamos que um dia ela se torne algo cada vez mais confiável.

Revisado em 06/09/2017

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