Dilma esqueceu da Neutralidade da Rede?

EDIT: Alterei o texto em 26/11/2015. Do jeito que estava escrito dava a entender que o Internet.org foi implementado no Brasil mas não há nada oficial que comprove isso. Foram feitas apenas mobilizações pelo fato de Dilma ter se encontrado com Mark Zuckerberg, mas por enquanto o máximo que foi constatado foi a veiculação do comercial no Brasil.
O foco do texto é falar sobre o projeto e o alerta dele ser implementado no Brasil. Alterei apenas algumas palavras sem que isso alterasse o contexto.

Houveram comemorações após a aprovação do Marco Civil, mesmo tendo alguns pontos falhos, e um dos pontos em que mais houve o que comemorar foi a neutralidade da rede. Passou a ser tornar ilegal a descriminação dos dados que trafegam pela rede brasileira, sendo todos tratados da mesma forma, sem beneficiar nem prejudicar ninguém. Escrevi um texto inteiro falando sobre isso. Um encontro entre Dilma e Mark Zuckerberg fez parecer que a presidente da República poderia estar desconsiderando isso, pois esse encontro aconteceu numa época em que Zuckerberg vem divulgando o Internet.org, que fere justamente esse princípio da neutralidade.

Se confirmado, Dilma pretende continuar com o que vem sendo o carro-chefe de seu governo, os projetos sociais para a população de renda mais baixa, e agora pretende realizar algo parecido com a internet, a oferecendo para os que não tem acesso. O problema é que o Internet.org é projeto liderado pelo Facebook e tem por finalidade oferecer conexão à internet gratuitamente aos usuários mas apenas para serviços como Facebook e seus sites parceiros, o que vai contra o princípio assinado no Marco Civil.

O Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) se mobilizou para entrar em contato com a mega empresa para obter mais informações acerca da limitação de acesso a conteúdo, conforme apurou o El País. Outra questão abordada pelo CGI.br é sobre privacidade do usuário, afinal o Facebook, como toda empresa, precisa de fonte de renda e por estar num sistema capitalista visa o lucro. Muitos usuários não entendem que por poderem realizar o cadastro para utilizar a rede social gratuitamente acabam “pagando” com seus dados pessoais, por isso a empresa é constantemente criticada pela falta de privacidade de dados seus usuários. Além disso, o Comitê também questiona a infraestrutura utilizada para tal serviço, se será utilizado dinheiro público, que provavelmente envolverá por isso é importante que haja transparência.

Mas afinal o que vem a ser esse projeto? Baseando-se nos dados de que 2/3 da população mundial ainda não utiliza internet, o projeto pretende levar acesso a essas pessoas que “ficaram pra trás”. O pontapé inicial foi dado com as Filipinas, onde o consumo de dados móveis no país dobrou em aproximadamente quatro meses de operação. Está também funcionando na Colômbia, Guatemala, Panamá, Tanzânia, Zâmbia, Quênia, e tem planos ambiciosos de se espalhar ainda mais, sempre atrás de mais dados pessoais para enriquecer a empresa.

Um fato curioso é que o projeto se chama Internet.org, notando que Mark Zuckerberg chegou ao ponto de usar o nome do Facebook para se referir à internet em si. Com certeza uma afronta a Tim Berners-Lee, criador da internet, que ao criá-la preferia tornar um bem para a humanidade ao invés de seguir o caminho de ser um grande empresário e ganhar dinheiro em cima disso. O mesmo já afirmou muitas vezes que a idéia da internet é de ser um direito humano e ser acessível para todos, isso de uma maneira bem diferente do que pretende Zuckerberg, que por trás de toda sua falsa ação social do projeto pretende enriquecer sua empresa. Há uma mobilização mundial contra isso, com um nome que bem representa o que acabei de descrever: nofakeinternet.org

O pensamento de Zuckerberg é bem retratado no comercial do projeto que está sendo veiculado no Brasil (procurei dublado mas não encontrei):

A sociedade já está em alerta sobre o fato desse projeto chegar à terras brasileiras. Poderiam haver muitas outras opções de oferecer internet à população de baixa renda. Conforme citado numa matéria que fala sobre o assunto no Brasil De Fato há iniciativas como Governo Eletrônico e Banda Larga para Todos, que caminham lentamente e caso exista esse acordo entre Dilma e Zuckerberg é provável que parem de vez. Em meio à crise política e econômica que o país enfrenta isso com certeza não está dentro das prioridades a serem levadas em conta pelo governo. Quem sai perdendo é a internet brasileira.

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