Cidades digitais: estamos preparados para isso?

Estar sempre conectado. Essa é a frase propagada pela grande indústria para movimentar a indústria de gadgets, a idéia de que precisamos ter vários dispositivos e por algum motivo, algumas vezes não necessariamente muito útil, ele deve estar sempre conectado à internet. A Internet das Coisas (IoT) é uma realidade e o que antes se falava em conectar cafeteiras e geladeiras está se ampliando para um novo patamar: conectar uma cidade inteira.

O Tecmundo visitou Águas de São Pedro, uma cidade em São Paulo, que por ser a segunda menor cidade do país facilitou sua escolha como “cidade teste” da Telefônica, que substituiu todo o cabeamento da cidade por fibra ótica. Após melhorar a infraestrutura, foi investido na automação de serviços públicos, nas áreas de saúde, educação e turismo. Dentre eles estão serviços na nuvem para livros nas escolas e jornais, trabalhos digitalizados em hospitais, LCDs gigantes com informações para turistas e, claro, Wi-fi grátis. Esse foi apenas o começo e a Telefônica já pensa mais adiante, com a adição de câmeras de segurança e postes de iluminação inteligente.

Quando alguém quer obter informação de uma rede que não tem acesso, mesmo sem ter a senha pode se valer de outros meios para conseguir ter acesso a essa rede. A lei é que há sempre um elo mais fraco, então basta dar alguns (ou vários) arrodeios que uma hora ou outra poderá obter esse acesso. Quem acompanha notícias da área deve estar familiarizado com dispositivos que estão inseridos nesse conceito sendo invadidos. Smart cars, Smart TVs, geladeiras, até mesmo um gato! Todos eles podem ser alvo na busca pelo elo mais fraco.

A idéia é que quanto mais dispositivos fizerem parte da rede aumenta a probabilidade de encontrar uma maneira de invadi-la, isso em uma casa, imagine em uma cidade. Invadir um sistema público pode ser algo muito grave, imagine qualquer um poder controlar um semáforo ou o fornecimento de água ou energia. Nada que possa fazer o trailer de Watch Dogs ser não-ficção:

No DEFCON 22 o palestrante Cesar Cerrudo demonstrou como invadir um sistema de controle de tráfego e alertou sobre os perigos que podem acontecer em uma cidade digital. Como o mesmo falou em uma entrevista à SC Magazine: “Levando em conta novas tecnologias e modo de vida em cidades inteligentes, vamos considerar se um ou mais serviços dependentes de tecnologia não funcionarem. Como seria sem funcionar sistema de controle de tráfego, iluminação e transporte públicos? Como os cidadãos reagiriam a um inadequado abastecimento de eletricidade ou água, ruas escuras, e sem câmeras? E se o sistema de coleta de lixo for interrompido no verão e as ruas ficarem cheirando mal?”. Perfeito!

Isso pode ser levado também a um nível mundial. Por quem alguém do outro lado do mundo iria querer invadir seu computador? O maior motivo é para que seu computador faça parte de um ataque DDoS, que por ser um ataque distribuído, amplia sua chance de efetividade. Conectando os serviços da cidade significa aumentar a quantidade de dispositivos que estão conectados a internet, aumento o universo de possíveis alvos para ser realizado esse tipo de ataque.

Apesar de Águas de São Pedro ainda estar em fase inicial de modernização, foi feito um levantamento das 7 cidades digitais mais vulneráveis a ataques e veja só quem está nessa lista:

Captura de tela de 2015-11-07 22:49:31Fonte: http://thehackernews.com/2015/07/smart-city-cyber-attack.html

O aumento de dispositivos conectados à rede esta aumentando exponencialmente mas a procura por melhor segurança não está acompanhando o mesmo ritmo, ainda temos muitas vulnerabilidades e pensar em chegar a esse tipo de modernização seria querer dar um passo bem maior do que a própria perna. Não é um projeto que possa ser feito enquanto tivermos sistemas vulneráveis e gente disposta a se valer deles para fins maléficos. Há outras prioridades como procura por melhor segurança de redes de computadores e melhor edução e conscientização para formar cidadãos bem instruídos para encarar uma cidade moderna. No momento não precisamos nos preocupar com aparência, o mais importante é qualidade, tanto de tecnologia quanto de vida.

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