A força do Bitcoin na crise da Grécia

Apesar de não ser um país geograficamente tão extenso e com cerca de 11 milhões de habitantes, em 2015 a Grécia passou pela sua maior crise financeira na historia. Além da preocupação com o capital interno há uma preocupação geral pelas dívidas externas que o país possui. Para se chegar à situação, houve uma falta de controle do gasto público envolvendo o pedido de vários empréstimos e o aumento de salários. A Grécia já estava despreparada na crise global de 2009, que resultou no aumento de sua dívida, e agora depende de mais empréstimos para refinanciar outros empréstimos. O problema é que nenhum país confia mais em emprestar dinheiro para a Grécia.

O problema financeiro é na Grécia mas a preocupação é global, ou para ser mais específico, na zona do euro, pois há um temor de um efeito dominó, como explica a BBC Brasil, que derrube outros países enfraquecidos como Portugal, Irlanda, Itália e Espanha. Dentro desse cenário acontecem as medidas de sempre que os governos apresentam nesses casos: aumento de impostos, congelamento de salários e, em casos mais críticos, controle de capital pessoal da população. Esse terceiro é o pior, pois há uma interferência direta do Estado sobre o dinheiro de cada um, o dinheiro que foi concebido a cada um através da força de trabalho. Além de pagar impostos e trabalhar diretamente para o Estado – no caso dos servidores públicos – ele ainda quer controlar o quanto cada um pode gastar ou não.

Obviamente isso não foi bem recebido pela população e houveram muitos protestos nas ruas. Cogitou-se até que a Grécia abandonasse o euro, o que acarretaria na desvalorização da moeda e causaria uma ruptura no mercado interno. Mas caso houvesse esse abandono, a Grécia já teria um substituto: o Bitcoin.

Para controlar o capital, os bancos gregos fecharam temporariamente para evitar que as pessoas retirassem dinheiro e as transações diárias estavam limitadas a 60 euros. Revoltados com o controle do Estado sobre o capital, os gregos começaram a migrar para o Bitcoin, com isso poderiam usar seu próprio dinheiro sem interferência. De olho na migração, a exchange Bitcurex enviou e-mails para os cidadãos gregos levantando algumas questões para facilitar o uso da moeda, dentre essas perguntas, se haviam ATMs de Bitcoin na Grécia. Para facilitar, a própria Bitcurex ofereceu 3 meses de transações gratuitas para os gregos. No site da CNN teve até uma página para os gregos poderem contar, sem ter sua história divulgada publicamente, como o Bitcoin facilitou sua vida na Grécia nesse período

Para dar mais força a esse argumento, o ministro de finanças da Grécia, Yanis Varoufakis, publicou em seu blog pessoal à respeito do Bitcoin. No texto ele fala sobre a deflação, ou seja, as medidas para combate à inflação, onde ele faz críticas à essa medida e em como a zona do euro, através do Banco Central Europeu, faz uso dela. Para resolver esse problema, Varoufakis sugere a criação de uma moeda centralizada mas que funciona com o algoritmo do Bitcoin, que ele chamou de FT-coin (Future Taxes), onde uma das mudanças é o registro de quando a moeda foi usada para, de acordo com essa informação, verificar se ela foi usada para pagamento de impostos nos últimos dois anos. O ponto chave para essa idéia foi a transparência, pois, segundo ele, ficariam a conhecimento de todos e não envolveria os bancos e suas restrições determinadas, além de economizar euros para envolver pessoas para monitorização, pois como todas as transferências seriam públicas poderiam ser vistas por qualquer cidadão. Resumi bastante o texto de Varoufakis, leiam o link que vale a pena!

O que aconteceu na Grécia mostrou o quanto a falta de transparência na economia pública tem incomodado as pessoas, sobretudo aquelas que ganham seu dinheiro honestamente e não tem certeza de que forma suas contribuições financeiras para o Estado estão sendo convertidas. Esse foi mais um episódio do impacto positivo que as moedas virtuais vêm causando em busca de um mundo justo, onde a força de trabalho das pessoas são valorizadas sem abrir mão de suas liberdades.

Revisado em 07/09/2017

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