Fim do Firefox OS em smartphones e o conceito de Web

Quando a Mozilla decidiu entrar no mercado de smartphones ganhou destaque por disponibilizar aparelhos de baixo custo. Com mais ou menos de R$100 você poderia ter um smartphone.

Ele começou a ser vendido em setembro de 2013. Foi um ZTE que custava U$79,99 e vinha desbloqueado, sem contrato nem aplicativo de nenhum operadora, como estamos acostumados a ver as distribuições livres, bem diferente de quando você compra um computador com Windows, que vem com vários aplicativos pré-instalados da empresa que fez o computador. Curioso que alguns são programas que prometem melhorar a performance do computador, mas se o sistema fosse realmente bom não precisaria de programa de terceiros para melhorar performance, muito menos toda essa marketagem para se vender. O mesmo se aplica aos smartphones, que hoje em dia as empresas vêm cometendo a aberração de vender smartphones fechados, onde nem pode abrí-lo. O que é isso? Medo da concorrência? E a liberdade do usuário que se dane.

Falei isso porque dois meses depois, quando os primeiros Firefox OS chegaram ao Brasil, a Mozilla fez uma parceria com a Vivo para oferecer alguns aparelhos e ainda havia a expectativa de que fossem feitas parceria com outras operadoras. Sinceramente o Firefox OS não precisava disso. Além do enorme respeito que a Mozilla tem pelo mundo, os aparelhos eram de baixo custo e ofereciam uma nova perspectiva para o usuário: era todo baseado em web, mais precisamente em HTML5. E isso tinha suas vantagens.

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Estamos acostumados a ver desenvolvedores querendo se inserir no mundo de desenvolvimento em smartphones, e aí o que elas fazem? Aplicativos. Por mais banais que sejam, são vários aplicativos sendo feitos. Não interessava mais fazer um site, tinha que ser feito um aplicativo, mesmo que apenas para replicar os dados fornecidos pelo site. O número de aplicativos para smartphones sendo feito vem crescendo.

 

Número de aplicativos na Google Play. Fonte: http://www.statista.com/statistics/266210/number-of-available-applications-in-the-google-play-store/ . Acessado em 20/1/2016
Número de aplicativos na Google Play.
Fonte: http://www.statista.com/statistics/266210/number-of-available-applications-in-the-google-play-store/ . Acessado em 20/1/2016

Eu encaro aplicativos de smartphones como programas de computador (que é o que realmente eles são). Dificilmente instalo um programa a menos que realmente tenha necessidade, hoje em dia temos muitas alternativas na própria web. Geralmente basta digitar na barra de busca o que você quer fazer e irá se deparar com algum serviço online para isso, sem necessidade de baixar nenhum programa.

Muitas pessoas não tem essa mesma visão quando estão usando celulares e estão sempre procurando vários aplicativos para instalar mesmo que para fazer uma funcionalidade pontual, depois ele não é mais usado. No Android e no iOS aplicativos ficam sendo executados no plano de fundo, o que representa um consumo de bateria significativo. Acabou não se tornado raro ver pessoas que vez ou outra formatam o sistema do smartphone o acusando que estava lento (mesmo sem ter o cuidado de querer baixar milhões de aplicativos fúteis), tipo de coisa que quase não se vê em quem usa esses tipos de sistema para desktop (Linux e Mac).

A Web cresceu muito. Surgiram muito sites com recursos para ajudar na produtividade, juntando isso ao fato dos smartphones serem de baixo custo o Firefox OS poderia ter um futuro melhor, mas em dezembro de 2015 foi anunciado que ele não seria mais desenvolvido. As pessoas não souberem fazer proveito disso e, mesmo com o acordo com a Vivo, houve uma divulgação para os smartphones com o sistema da Mozilla. Levando em conta tudo que poderia significar a participação desse sistema no mercado dos smartphones, considerei a pior notícia do ano relacionado à tecnologia.

Achei que seria o fim do sistema mas felizmente a Mozilla segue trabalhando no Firefox OS para SmartTVs. Pode ser que dessa vez dê certo, visto que SmarTVs não combinam muito com essa idéia de aplicativos, até porque há poucas alternativas e não contam com atualizações constantes, o que levam algumas pessoas a preferir utilizar um Chrome Cast.

O Firefox OS pode não ter dado certo com os smartphones mas a Mozilla não iria deixar uma idéia dessa morrer, principalmente por ser uma empresa que tem forte contribuição da comunidade. Espero que o sistema tenha mais sorte nesse novo rumo. A Web agradeceria.

Revisado em 07/09/2017

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3 comentários em “Fim do Firefox OS em smartphones e o conceito de Web”

  1. “As pessoas não souberem fazer proveito disso e, mesmo com o acordo com a Vivo, houve uma divulgação para os smartphones com o sistema da Mozilla.”

    Como assim, “as pessoas não souberam fazer proveito disto”? Você quis dizer ‘as pessoas não compraram o bastante’?

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