Saúde pública: um importante resultado do investimento nas classes baixas

Um fato importante aconteceu há um mês atrás ao sair o resultado do vestibular da Unicamp. O fato em questão foi à respeito do curso de Medicina, o mais concorrido da universidade, que deu o título da matéria no Estadão: 88,2% dos aprovados em Medicina na Unicamp são de escola pública. A grande importância desse acontecimento se dá pelo seguinte fato: a Unicamp não adota cotas, e sim uma bonificação, e pela primeira vez os estudantes de escola pública superaram os de escola particular.

Isso foi acontecer logo com a classe de trabalhadores que mais vem criticando os programas sociais de investimento nas classes mais baixas. Vinha-se repetindo muitas vezes pelos defensores desses programas, como o Bolsa Família, que isso seria um investimento para que as pessoas que se encontravam nessa classe tivessem mais chance se inserir no mercado de trabalho. Esse acontecimento no resultado do vestibular da Unicamp constatou exatamente isso, e não que seria uma “esmola para pobre ganhar dinheiro sem ter que trabalhar”, como argumentavam os contrários ao programa.

Ser médico é encarado por muitos, não só no Brasil, como uma profissão de status e alguns entram na área buscando essa imagem. Importante ressaltar que eu disse ALGUNS, claro que tem muita gente que segue a profissão por realmente gostar de medicina e isso pode ser perceptível na qualidade do tratamento por parte dessas pessoas.

Um acontecimento repugnante, e relativamente recente, protagonizada por essa classe foi com a recepção hostil aos médicos cubanos no Brasil, representado pela foto que marcou o momento:

Medicos_cubanos_jarbas_Oliveira

A foto representa a chegada de médicos vindos do exterior para trabalhar em áreas que não despertavam interesse dos médicos locais, mas por esses médicos terem vindo de um país economicamente pobre, foram chamados de “escravos” e ainda disseram que as médicas cubanas “tem cara de empregada”. Declarações que representam o pensamento neoliberal voltado ao status social.

É possível traçar um paralelo com o médico protagonizado por Tom Cruise em De Olhos Bem Fechados (1999) de Stanley Kubrick. No filme Tom Cruise protagoniza um médico que usa de seu status para tentar conseguir o que quer e acaba invadindo uma reunião de uma sociedade secreta composta de pessoas ricas sem ser convidado por achar que tem status suficiente pra fazer parte da sociedade secreta. Quem assistiu ao filme viu como ele comumente mostra sua identificação de médico ou oferece dinheiro para conseguir o que quer.

images.duckduckgo.com

Com esses dois cenários é possível perceber os dois lados da medicina. O crescimento do interesse da população de classes mais baixas pela medicina pode ser indicativo de “socialização” da medicina e pode mudar a maneira como é vista a profissão, com médicos que tem como prioridade tratar os problemas de saúde das pessoas e não com médicos que preferem se valer do seu status. Certamente quem não está gostando disso é adepto dos médicos Tom Cruise.

Revisado em 09/11/2017

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