Polêmica na medição de dados da Comcast, que usa um modelo que queriam trazer para o Brasil

No Brasil os provedores de acesso à internet oferecem planos vendendo o limite de banda para então os usuários poderem navegar livremente a uma velocidade limitada ao plano contratado. Os planos disponível, então, são referentes à velocidade. Mas João Batista de Rezende, presidente da Anatel, disse que esse modelo de internet estava com os dias contados no Brasil, afirmando que o país não tem infraestrutura para sustentar esses planos.

A idéia agora era fazer planos vendendo quantidade de tráfego, quando se chegasse ao limite contrato, a conexão seria cortada. No Brasil há planos assim apenas com 3G/4G, principalmente par celulares, mas em outros países existem operadores que oferecem planos com franquia de internet fixa.

Um dos provedores que possui uma franquia de internet limitada é a Comcast, localizada nos Estados Unidos.

A Arstechnica publicou uma reportagem essa semana contando casos de clientes que tiveram problemas com o medidor de tráfego do provedor. Um dos problemas foi com um casal que possui um plano cujo limite mensal é de 300GB. A empresa, que cobra uma taxa de $10 para cada 50GB usado além do limite do plano, cobrou em Janeiro uma taxa de $570 (alegando uso de 3TB a mais) e em Fevereiro uma taxa de $350 (alegando uso de 2TB a mais).

Mas o casal passa a maior parte do dia fora de casa trabalhando, assistindo apenas algumas horas de Netflix à noite. Como um streaming em alta definição da Netflix consome em média 3GB por hora, eles não poderiam ter alcançado o valor alegado pela Comcast nem se assistissem Netflix 24h por dia.

A empresa, que faz a medição do tráfego a partir do endereço MAC do modem, garantiu que não há nenhum problema em seus sistema de medição, acusando a Apple TV de seu cliente de estar gerando o tráfego anômalo.

Para evitar mais contas assustadoras como essas, o casal cancelou o plano mas após algumas conversas a empresa ofereceu um plano feito para empresas, o Comcast Business Internet, com desconto. Nesse tipo de plano não há medição de tráfego. Porém a Comcast alegou que ainda estava recebendo muito tráfego vindo do novo modem oferecido ao casal. Em sua reportagem, a Arstechnica ainda solicitou ver o tráfego desse modem que estava chegando na empresa mas a Comcast se negou, alegando que não pode mostrar essa informação por não fazer medição de dados desse tipo de plano.

Os detalhes técnicos que como é feito a medição da Comcast é mostrado na reportagem.

O casal não foi o único a passar por esse tipo de problema. Muitas pessoas tem feito queixas desse tipo. Uma delas é Oleg, um programador que realizou algumas medições independentes e gravou um vídeo contando sua experiência, que pode ser visto abaixo.

São tipos de problemas que acontecem com uma empresa que fornece franquia de internet limitada, vendendo não a taxa máxima de transmissão, mas a quantidade de tráfego que pode ser utilizado em um mês.

Era esse tipo de modelo que o presidente da Anatel queria trazer pro Brasil felizmente foi barrada com base de que isso violaria o Marco Civil da Internet.

Há muito o que se comemorar. Já temos vários problemas e insatisfações com o serviço de internet no nosso país e não seria demais imaginar que esse tipo de situação seria recorrente por aqui caso esse modelo de negócio pudesse ser implantado.

 

 

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