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Quando a Kaspersky faz seu papel de proteger as pessoas contra… o governo.

A troca de farpas entre EUA e Rússia é algo antigo que vem desde a Guerra Fria, em meados de 1960. Com o fim da Guerra, a URSS se desintegrou e surgiu a Rússia, que além do nome também mudou seu regime econômico para capitalista, uma medida que resultou num ensaio de conciliação entre os dois países. Mas nem isso foi suficiente para que os dois se dessem bem e a relação ficou ainda mais ríspida quando Vladimir Putin chegou ao Kremlin, ainda nos anos 2000.

A princípio os desentendimentos vinham com relação a posicionamentos em guerras. A Rússia foi contra a Guerra do Iraque enquanto os EUA apoiaram a Geórgia na invasão à Ossétia do Sul, um estado russo, apenas para exemplificar algumas das medidas que confirmam as desavenças. Antes apenas inimigos em confiltos geográficos, os dois países passaram a se enfrentar em outro tipo de guerra: a cibernética.

O primeiro grande embate envolvendo o cyber espaço foi após os vazamentos de Snowden. Mesmo o ex-agente da NSA ter feito um apelo para se refugiar no Brasil, a Rússia demonstrou interesse em recebê-lo, o que acabou até cancelando uma visita de Obama à Rússia.

Outro ponto de tensão foi depois de uma alegação ianque de que hackers russos teriam influenciado o resultado da eleição presidencial de 2016, resultando na vitória de Trump, que era de conhecimento ser uma pessoa próxima de Putin.

De acordo com os oficiais de inteligência dos EUA, hackers tiveram acesso aos e-mails de John Podesta, a pessoa à frente da campanha de Hillary Clinton, sendo esses e-mails publicados pelo Wikileaks, de Julian Assange, outro que não se dá muito bem com os ianques. A suspeita ocorre pelo fato de que Hillary e Putin não têm bom relacionamentos, além do fato de que Trump pudesse favorecer aos interesses russos.

Houve até uma especulação de que Snowden teria contribuído com o ataque, já que estava exilado na Rússia, porém o mesmo chegou a se posicionar sobre o caso, alegando inclusive que não tinha como os EUA provarem que a Rússia foi a responsável pela invasão. Ele relembrou inclusive o caso onde os EUA culparam a Coreía do Norte pela invasão à Sony sem ter provas contundentes disso.

Desde então os EUA vem tentando demonizar a Rússia e um recente episódio foi marcante por caracterizar isso. O alvo da vez foi a empresa de segurança Kaspersky Lab.

A famosa empresa que leva o nome de seu dono, Eugene Kaspersky é bastante conhecida como uma das maiores empresas do ramo de segurança e tem envolvimento em importantes casos como o estudo do Stuxnet. A empresa também é famosa por detectar e corrigir vulnerabilidades de sistemas, principalmente em sistemas Windows.

Com a revelação do Vault7 se tornou de conhecimento as ferramentas usadas pela CIA, algumas delas se aproveitavam de backdoors instalados pela própria CIA para se ter acesso às máquinas. Dentre essas vulnerabilidades estava uma denominada PsSetLoadImageNotifyRoutin, que previne inclusive ser detectada por antivírus e que a Microsoft se negou a lançar um patch de correção.

A Kaspersky Lab então fez sua parte e lançou a sua própria correção para o problema, o software Kaspersky Total Security, gerando um mal estar que culminou em uma investigação dos funcionários da Kaspersky nos EUA pelos Feds. Além da investigação, as empresas privadas foram instruídas a não usarem o software lançado pela Kaspersky sob argumento de não ser um programa confiável.

O que pesa também é o fato da empresa de segurança ter sua sede na Rússia, surgindo alegações de que ela esteja à serviço do país onde se encontra sua sede. Porém, pelo histórico dos países, principalmente pós eleição presidencial de 2016, o caso da Kaspersky vem sendo visto como mais um exemplo de demonização da Rússia.

A Rússia não é vista de bom grado por muitos países, principalmente pela censura à Internet, mas os EUA estão pagando o preço por estarem tentando sempre combater a Rússia sem se apoiar em fatos concretos. A guerra entre os dois não começou ontem e cada vez dá menos sinais de que eles possam chegar a um consenso, principalmente agora que estão se enfrentando no cyber espaço.

Deixando de lado a briga entre os dois países, o que pode-se observar é que a Kaspersky, que muitas vezes protegeu computadores pessoas de vírus, malwares e afins, dessa vez protegeu as pessoas de algo maior: espionagem de um governo.

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Segurança Nacional: um filme que mostra o sonho antigo de militarizar o Brasil

Filmes de ação dos Estados Unidos, quanta gente gosta desse tipo de filme! Um exército ou uma agência secreta e um personagem principal que está à frente de todos e é venerado por toda a agência. Filmes esses que são comuns em terras ianques, que tem um exército ostensivo desde muito tempo por estar constantemente envolvido em guerras, ou em atuação de agências de inteligência por combater ameaças internas ocasionadas pelas guerras e conflitos que o país cria ou se envolve.

Não é de imaginar que vejamos esse tipo de roteiro em um filme brasileiro. Pois não foi isso que pensou Roberto Carminati, um diretor que já tinha no currículo a produção de algumas novelas na Globo. Ele teve a pretensão de misturar um filme de ação típico dos Estados Unidos em um cenário brasileiro.

O filme tem um roteiro fictício onde a Força Aérea Brasileira (FAB) monitorando constantemente a Amazônia para evitar que ela sirva de ponto de entrega de drogas vindas de países vizinhos. A FAB faz uso do Sistema de Vigilância da Amazônia (SIVAM) para monitorar as ações na região.

Além da FAB, há um enorme envolvimento da ABIN, a Agência Brasileira de Inteligência, que como nos filmes estado-unidenses possui um personagem central. O diretor escolheu Thiago Lacerda para o posto, de forma a querer torná-lo o galã que combate criminosos e salva o país.

Enquanto se assiste ao filme é possível notar um pouco de semelhança com o filme True Lies, onde Schwarzenegger é um agente secreto e esconde o serviço da própria família para combater traficante de drogas. O mesmo ocorre em Segurança Nacional, onde Lacerda é um agente secreto e para isso precisa esconder a vida de sua namorada enquanto protege o país de traficantes.

Além de tentar transformar Lacerda em um Schwarzenegger, Carminatti ainda tenta passar com exaustão a importância dos serviços militares no combate à invasão de alguma ameaça externa. Tanto que o filme teve apoio da FAB e do governo brasileiro.

Não é à toa que Carminatti nasceu nos EUA, se formou em cinema por lá e disse ter estudado “como o cinema americano fala das Forças Armadas e de sua história de um jeito positivo”.  Ainda enfatizou que sempre almejou voltar ao Brasil para fazer filmes positivos. Eis então que surgiu Segurança Nacional.

Não tentarei dar uma de crítico de cinema analisando o filme mas ele não foi muito bem recebido. Além do roteiro não ser muito empolgante e as atuações dos atores ficarem devendo, ainda traz uma visão “estado-unidense” do Brasil. Só faltou chamar de Estados Unidos do Brasil.

O filme foi feito em 2010 e demonstrou, mesmo que nesse caso, pessoal, uma idéia de militarizar o Brasil, um país que não se envolve em guerras nem se mete em conflitos entre outros países. O que se percebe é que desde que Dilma Roussef sofreu o impeachment tem-se percebido uma vontade de militarizar o país.

Uma notícia recente em que é possível pegar o gancho com esse filme seria de que o exército dos EUA foi convidado pelo brasileiro a participar de um exército na Amazônia. Teremos soldados americanos por aqui fazendo simulações militares, pelo menos segundo o nosso Exército.

Alguns acreditam que esse acordo possa significar uma aproximação entre os países que possa estreitar a relação militar entre ambos. Se verdade, seria algo realmente perigoso pela quantidade de guerras que os EUA já se envolvem normalmente, imaginem com esse louco na presidência.

O tratamento dado ao “hacker” de Marcela Temer

O legislativo brasileiro tem sugerido projetos de lei relacionados a crimes cibernéticos. Leis essas que não costumam cair no gosto popular pela ambiguidade e por uma clara demonstração dos políticos de não quererem se aprofundar no assunto para saber no que de fato estão propondo, escrevendo a lei mais pelo lobby das grandes empresas.

É de conhecimento também o quão desigual é o tempo de julgamento dos casos de crime no país. Na Lava Jato estamos vendo isso com grande clareza, onde alguns nomes fortes são citados várias vezes em delações e nem se começou uma investigação sequer contra esse nome. Juntando todo o processo da Lava Jato com o tempo de julgamento e o crime cibernético é que se encaixa um personagem com um nome incomum mas que vem sendo muito falado: Silvonei.

Silvonei José de Jesus Souza é um telhadista autônomo que há cerca de 8 anos resolveu comprar um HD usado na Santa Ifigênia por R$250 de um vendedor ambulante. Segundo consta no processo esse HD possuía um banco de dados do provedor de internet do Terra com informações de seus clientes. Um desses nomes era o de Marcela Temer, que com certeza foi o nome que mais chamou atenção, pois estava prestes a se tornar primeira dama (o julgamento do impeachment de Dilma na Câmara estava prestes a acontecer à época). Com isso, Silvonei usou o e-mail de Marcela, que era um dos dados presentes no banco de dados, e restaurou a senha da conta dela do iCloud afim de obter acesso indevido aos dados na conta.

Para conseguir realizar esse ato Silvonei apenas usou o e-mail de Marcela em seu celular e baixou o backup no seu próprio aparelho, tendo acesso às informações. Nada muito sofisticado a ponto de quererem chamar o telhadista de “hacker”.

Essa informação foi confirmada quando foi realizada a perícia no HD do telhadista, que consta no processo que pode ser acessado no site do Tribunal de Justiça de São Paulo e que o Gizmodo Brasil fez uma matéria em cima das informações contidas nesse processo.

O problema em si não foi apenas obter os dados de Marcela e sim o que ele resolveu fazer com eles. Dentre os dados estavam as conversas de WhatsApp de Marcela e umas dessas conversas era dela com seu irmão, Karlo Augusto Araújo, que, na época, era pré-candidato a vereador em Paulínia (SP).

Mas ainda segundo essa matéria, as conversas de WhatsApp no iCloud ficam armazenadas em um arquivo oculto, então como Silvonei conseguiu acessá-las? A própria matéria menciona que existem softwares dedicados à extração de mensagens de WhatsApp no iCloud. Então o fato de apenas usar um software ainda não é o suficiente para chamar o autor do crime de “hacker”.

Com esses dados em mãos, Silvonei conseguiu obter R$15 mil de Karlo e chantageou Marcela a lhe pagar R$300 mil para que não divulgassem seus dados. A futura primeira-dama disse a princípio não ter nada a esconder mas Silvonei lhe mandou o áudio dela com o irmão e afirmou que o diálogo nele contido poderia jogar o nome do marido dela “na lama”. Isso poderia ser preocupante, pois o marido dela na época estava prestes a se tornar presidente.

A partir daí é que começa a surpresa do caso. Como bem reportou o DCM, O Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa de São Paulo (DHPP) não tem uma boa média de solução de casos. O departamento é responsável por investigar crimes de extorsão apenas se for mediante sequestro mas foi designado por Alexandre de Moraes (à época Secretário de Segurança Pública) para que resolvesse o caso. O DHPP então abriu essa exceção e resolveu atuar na investigação de um crime cibernético, que contou com uma equipe de confiança de Alexandre de Moraes.

Silvonei, que até então nunca tinha sido preso, começou a ser investigado em uma operação que teve aspectos cinematográficos, com 33 policiais civis envolvidos, entre delegados, investigadores e peritos, e escutas telefônicas em tempo real. Após a captura do suposto “hacker”, ele teve um julgamento em tempo recorde de 6 meses em um caso que normalmente leva anos para se dar um veredito. Além da pressa do julgamento, o agora réu primário foi condenado a 5 anos e 10 meses de prisão… em regime FECHADO.

Apesar do caso poder ser configurado como crime digital, já que houve uso de um celular para que o crime fosse cometido, a condenação oficial por estelionato, extorsão e obtenção de vantagem indevida. Juntos deram o tempo da pena atribuída a Silvonei.

Mas já que foi um crime cibernético por que Silvonei não foi julgado pela Lei Carolina Dieckmann? Caso fosse, ao invés de estelionato ele seria julgado por “invasão de dispositivo informático”, que teria como pena de 3 meses a 1 ano e multa, ao invés da reclusão de 1 a 5 anos e multa, como no que ele foi julgado. A extorsão também poderia ter sido julgada como “invasão de dispositivo alheio” mas como não o foi, além da pena do estelionato juntou a pena de reclusão, de 4 a 10 anos e multa.

Ou seja, caso fosse julgado de fato por um crime cibernético como consta na lei, ele teria uma pena máxima de 1 ano, podendo ter esse valor aumentado um pouco por ter resultado em prejuízo econômico, ao invés dos 5 anos e 10 meses no qual ele foi condenado.

Temer conseguiu então o que queria, isolou um homem que poderia jogar seu nome “na lama” quando estava prestes a assumir a presidência. Parece ter havido reconhecimento nos esforços de Alexandre de Moraes no caso, pois o mesmo foi designado como Ministro da Justiça assim que Temer assumiu e agora é um dos nomes fortes para o Supremo Tribunal Federal.

Já Silvonei, está muito bem trancafiado para não falar sobre o caso. Até mesmo seu advogado está receoso quanto à isso, afirmando que qualquer entrevista possa atrapalhar a defesa. Os jornais Folha e O Globo, que tentaram divulgar trechos da investigação, foram censurados.

O classificar como “hacker” foi exagero mas é inegável que Silvonei tinha informações relevantes que poderiam comprometer o hoje presidente do país. Mas nada como alguém que está tramando ser presidente ter um homem de confiança que possa silenciar alguém que tenham informações que possam comprometer essa trama.

hoc_silvonei

A superlotação das cadeias brasileiras pela Lei de Drogas e como o Silk Road melhorou os dados nos EUA

O massacre dos detentos em Manaus, e dias depois em Roraima, chamaram a atenção do país e principalmente do governo, que possuía um rascunho do que pretendiam ser o Plano Nacional de Segurança Pública. Após o episódio foi decidido em caráter de urgência o lançamento do plano, que possui como metas a reduções anual de homicídios e de superlotação nos presídios, aumentos de celeridade nas investigações e de quantidade de drogas apreendidas, assom como ter informações em tempo real de todo sistema penitenciário.

O problema desse plano, além de 78% dele já ter medidas adotadas pelas gestões dos presidentes anteriores, são alguns pontos que vem sendo criticados por especialistas. Um desses pontos é o de que os planos de segurança anteriores foram lançados da mesma forma, em questões emergenciais, sem ter um planejamento detalhado e com discussão à respeito de seus pontos.

Tanto que Juana Kweitel da ONG Conectas Direitos Humanos alerta para um ponto importante: a de que a superlotação das cadeias está ligada à Lei de Drogas.

Essa lei foi lançada em 2006 como Lei 11.343 e é criticada por ter endurecido penas para traficantes e ter as abrandado para usuários comuns. O assunto foi tratado no 27º relatório global da Human Rights Watch, que mostra que de 2005 a 2014 houve um crescimento de 19% dos presos que haviam sido detidos por crimes relacionados a drogas.

Conforme disse a diretora no Brasil da HRW, Maria Laura Canineu, “a lei deixou uma subjetividade grande na determinação de quem é traficante ou usuário”. A partir dessa afirmação, a ONG considera que a Lei de Drogas é o ‘fator chave’ para aumento da população carcerária.

Já nos EUA, um país acostumado a guerras, além de seus conflitos de política externa, há uma grande interna: a guerra contra as drogas. Inicialmente ignorada no início do século XX, hoje em dia o combate às drogas está inclusive no plano internacional do país.

Claro que há controvérsias quanto a essa guerra, inclusive questionamentos à respeito de se os EUA realmente querem vencê-la. Em todo histórico do combate ao tráfico há inclusive alianças do governo com poderosos cartéis.

Isso leva a uma relação curiosa ao episódio envolvendo o Silk Road, o famoso site de venda de drogas que foi fechado em maio de 2015 pelo FBI e reaberto meses depois sob o nome de Silk Road 2.0. Por trás desse mercado negro online de drogas estava alguém que se intitulava “Dread Pirate Roberts”, que futuramente foi descoberto que se tratava de Ross Ulbricht, que foi julgado e condenado à prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional.

O episódio do Silk Road se tornou curioso pelo fato do site, apesar de ser considerado ilegal e ter sido fechado pelo FBI, foi responsável por diminuição de violência no combate às drogas. Um estudo afirmou que como a violência nesse meio é gerada através de aumento de território, confrontos com policiais e acerto de dívidas, o fato de ter um mercado virtual que controla as vendas (mesmo que seus compradores sejam anônimos), evita que haja qualquer tipo de violência.

Assim como prender um famoso traficante de drogas não é garantia que o tráfico de drogas irá diminuir, o fechamento do Silk Road não impediu que drogas continuassem a ser comercializadas na chamada darknet. A venda apenas se distribuiu entre outras lojas conforme mostrado no gráfico abaixo.

silkroad

Fonte: http://www.economist.com/blogs/graphicdetail/2015/05/daily-chart-13

A história do Silk Road e de Ross Ulbricht, assim como mais informações à respeito da queda de violência ocasionada pelo site podem ser vistas no documentário Deep Web.

Aprovar uma lei de drogas que apenas aumenta a punição e enquadra mais pessoas ao perfil que possa ser punido, como a lei brasileira, ou combater o tráfico de forma intensiva por anos, como nos EUA, não são soluções para resolver a questão. No Brasil foi comprovado que apenas prender só fez aumentar a população carcerária e deu no que deu.

É preciso procurar formas para que se vença o tráfico inserindo os traficantes na sociedade para que ganhem dinheiro de forma digna, sem precisar estar criando uma guerra. Algo que pode ajudar nisso é a legalização da maconha, algo que já foi defendido pelo ex-presidente FHC e já há um projeto protocolado pelo deputado Jean Wyllys.

A anti-ética do ataque cibernético a hospitais

Ataques cibernéticos estão numa crescente. O mundo está ficando cada vez mais conectado mas a preocupação com a segurança não vem crescendo na mesma proporção. Algo que dava se levar em conta quando atigimos a proporção de Smart Cities, que como já escrevi, devemos pensar se realmente estamos preparados para isso.

O maior perigo atualmente para a falta de conscientização em segurança digital é o Ransomware. O malware se aproveita da fragilidade de como os usuários podem se tornar presa fácil e criptografa os dados pedindo uma quantia de regaste para que as informações sejam devolvidas.

Às vezes se aproveitando de vulnerabilidades dos sistemas, outras vezes  do elo mais fraco da área de segurança da informação, que é o usuário. O Ransomware tem atacado de diversas formas ao longo do tempo como mostrado abaixo. A imagem completa pode ser vista aqui.

Ransomware

Apesar de também infectar usuários normais, normalmente o maior foco do malware são os ambientes corporativos. Isso porqueao sequestrar dados sensíveis, há a possibilidade de pedir uma quantia maior para devolva esses dados. Quanto maior a sensibilidade dos dados, maior o valor que pode ser cobrado por ele. Talvez por isso hospitais tenham se tornado alvos do malware.

Hospitais são considerados alvos perfeitos par a o Ransomware por possuirem informações críicas e informações atualizadas de registros de pacientes. Devido ao alto movimento e aos hospitais necessitarem dos registros dos pacientes para os atenderem, a continuidade do negócio acaba se tornando crítica. Por isso caso tenham seus dados sequestrados os hospitais acabam correndo contra o tempo e acabam cedendo para pagar o resgate.

Tivemos vários casos de hospitais que passaram por essa situação constrangedora. Nos Estados Unidos, o Hollywood Prebyterian Medical Center, da Califórnia, foi infectado e ficaram sem serviço por mais de uma semana até pagar um resgate equivalente a $17,000.  Já o Methodist Hospital, em Kentucky, ao ser infectado declarou “estado de emergência” e acabou restaurando o backup para poder voltar a operar. Houveram também casos mais graves como o do MedStar Health, em Washington DC, que opera 10 hospitais e mais de 250 ambulatórios, que foi infectado e não quis admitir, porém uma funcionária do hospital relatou que recebeu uma nota avisando que eles tinham 10 dias para pagar o equivalente a $19,000. Ou ainda o caso do Kansas Heart Hospital, que pagou a quantia mas foi extorquido a pagar mais.

No Reino Unido houve uma paralisão nacional do sistema hospitalar levando inclusive ao cancelamento de cirurgias.

A prática em si já é considerada anti-ética, mas o fato de alguns crackers decidirem tornar hospitais um alvo de extorsão mostra o quanto algumas pessoas são tem escrúpulos e decidem pôr em risco a saúde de pessoas inocentes apenas para conseguir dinheiro.

 

Twitter não faz parte do PRISM… mas tem acordos com a iniciativa privada

Com o programa PRISM ficou acordado para que algumas empresas enviassem os dados de seus usuários para a NSA, o órgão público responsável pela segurança nacional dos Estados Unidos. Dentre essas empresas estão Microsoft, Google, Facebook, Yahoo!, Apple, Youtube, AOL, Paltalk e Skype.

O que chama a atenção é a ausência do Twitter nessa listagem. A rede social, que em 2013, ano da revelação do programa de vigilância, atingiu a marca de 200 milhões de usuários, poderia ser considerada uma boa fonte de informação para o governo. Uma matéria do The Verge expõe alguns argumentos que possam justificar essa atitude por parte da empresa.

Primeiramente, a empresa se defende justificando que o Twitter ter um histórico de não cooperação com o governo por respeitar que a rede social seja um lugar com liberdade de expressão e neutralidade. De fato a empresa tem lutado contra as intimações sofridas pelo governo e possui uma baixo índice de atendimento a requerimento de informação. se comparado  às outras gigantes do setor.

Porém, a matéria do The Verge cita que o Twitter não possui muita informação relevantes de seus usuários, e que isso pode ser a causa do baixo número de requerimento de informações. Além disso, grande parte do que os usuários tweetam é público, o que a meu ver pode facilitar a coleta de dados com big data, por exemplo.

Essa idéia, aliás, fez com o que Twitter fizesse uma parceria com uma startup de Nova Iorque chamada Dataminr para desenvolver uma ferramenta de mesmo nome que usa algoritmos de aprendizagem de máquina para identificar notícias e alertar jornalistas.

O desenvolvimento da ferramenta teve como foco prover conteúdo para os jornalistas mas sua eficiência se destacou a ponto do FBI começar a usá-la para monitorar criminosos e grupos terroristas. Porém, para aumentar o confronto entre o Twitter e os órgãos do governo, a prática foi considerada ilegal pois o termo de serviço impede o uso da ferramenta para fins de espionagem.

A CIA chegou a ter acesso autorizado à ferramenta por investir na empresa In-Q-Tel, que investiu inicialmente no projeto do Dataminr e pôde usar o piloto do programa, porém não teve mais acesso à ferramenta com o término desse piloto.

Desde o seu lançamento, o Dataminr tem sido usado por alguns dos grandes veículos jornalísticos como CNN e New York Times. Por conta disso o diretor da NSA, John C. Inglis mostrou insatisfação pelo Twitter compartilhar seus dados com o setor privado mas recusar o setor público.

Apesar de todas as críticas à vigilância realizada pelos órgãos de inteligência dos EUA, informações pertencentes ao setor público devem obrigatoriamente ter transparência, já o setor privado não dá essa garantia.

Não se sabe exatamente a efetividade disso vindo de órgãos de inteligência por tratarem de tantas informações confidenciais, ainda mais pelo fato de PRISM ter sido realizado secretamente até Snowden ter decidido fazer essa revelação. Apesar da NSA ter decidido fazer um relatório de transparência, ainda não se exatamente a seriedade disso.

Não estou aqui defendendo a NSA e a CIA e sim questionando o Twitter se ele realmente zela tanto pela privacidade de seus usuários, disponibilizando os dados para outras empresas.