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Intervenção no Rio de Janeiro pode comprometer privacidade dos dados

Intervenções feitas por membros do exército estão relacionadas à restrição de liberdade sob o argumento de garantir a ordem. A época da ditadura no Brasil foi o auge da censura, do combate à liberdade de expressão, chegando até a ser regularizado no AI-5, restringindo-se a música, cinema, teatro e meios de comunicação. Hoje em dia temos a internet, que quando é afetada por censura, possui um impacto muito pior do que os da época dos tempos de chumbo.

Já é de que conhecimento como é o vigilantismo aos cidadãos em países autoritários, com o intuito de rastrear as atividades na internet de cada cidadão com o discurso de que é o único meio de prevenir que alguma ameaça aconteça, como o terrorismo.

Desde a queda de Dilma pelo constestado impeachment à qual ela foi submetida, o Brasil vem desandando no que se refere a privacidade. Mas a ex-presidente também teve sua parcela de culpa, pois vale lembrar do vigilantismo ocorrido durante a Copa do Mundo em 2014 e da criação da lei anti-terrrorismo assinada pela própria presidente.

Quando ocorreram as Olimpíadas, em 2016, o presidente já era Temer, que desde que assumiu vem tentando remilitarizar a Abin, que tentou convencer os cidadãos brasileiros a acreditar que no Brasil há ameaça de terrorismo. Essa tentativa virou motivo de chacota da agência mas a vigilância começou por aí.

Em 2017 foi descoberto que desde 2015 o Planalto estava usando verbas para pagar a agência de comunicação Isobar para monitorar as redes sociais dos cidadãos. O governo alega que o monitoramente não é para fins políticos mas o estranho é que a agência se recusa a comentar o assunto.

O comandante do Exército, responsável por liderar a ocupação militar no estado, o general Villas Boas diz garantir que isso não tem nada a ver com intervenção militar para destituir o presidencialismo e voltarmos aos sombrios. Ele citou também a necessidade de volta da soberania nacional e que a Amazônia seja melhor vigiada, algo retratado no filme brasileiro Segurança Nacional, o qual escrevi à respeito.

De forma proposital ou não, o ministro da Defesa, Raul Jungmann disse que a intervenção veio para “golpear” o crime organizado. Vamos ver se é realmente isso que eles querem golpear.

O pior dessa história é que em 2017 Temer sancionou uma lei em que os crimes cometidos por militares não mais serão julgados pelo Júri e sim pela própria Justiça Militar. A chance de ser julgado como culpado um militar que matou é diminuída, quase como se tivesse legalizado a pena de morte.

Como o país vem caminhando para um processo de militarização ao mesmo tempo em que vem aumentando o monitoramento aos cidadãos, não é de se esperar que a intervenção das Forças Armadas no Rio de Janeiro se limite a isso e que isso não vai influenciar na falta de privacidade do conteúdo que disponibilizarmos em redes sociais.

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Boatos do WannaCry à parte, a Coréia do Norte vem se fortalecendo no ciberespaço

Em maio de 2017 houve um devastador ataque de ransomware que infectou computadores com sistema Windows causando um prejuízo de cerca de U$1 bilhão. Sete meses após o ataque o governo dos EUA veio a público dizer que já tinha quem declarar culpado pelo ataque: a Coréia do Norte.

Essa declaração causou polêmica visto que o ataque foi realizado sim por um grupo de hackers, mas foi por meio de uma técnica, até então, secreta, conhecida por EternalBlue, e essa técnica era usada pela NSA para explorar sistemas Windows vulneráveis. Então, apesar dos EUA terem declarado a Coréia do Norte culpada, o país norte-americano é tão culpado quanto ou talvez até mais, visto que a técnica partiu da agência do segurança do próprio país.

Bom, enquanto isso é apenas discurso, a Coréia do Norte vem sim se preparando para bater de frente com as grandes potências. Além de ganhar espaço nos jornais do mundo pela questão de seu programa nuclear, o país asiático também vem se reforçando no ciberespaço.

O país norte-coreano também tem sua agência de espionagem, chamada de Unit 180, que é voltada a atacar instituições financeiras. A Coréia do Sul vem investigando de perto essa agência, alegando ter conhecimento de que ela foi responsável pelos ataques nos bancos de Bangladesh, Filipinas, Vietnã e Polônia, além de ter atacando empresas e agências governamentais da região sul da península coreana.

Além disso, uma recente campanha de phishing relacionada a Bitcoin foi ligada ao grupo Lazaraus, que acredita-se estar baseado na Coréia do Norte. O alarme foi dado pela empresa SecureWorks, que afirmou também que a Coréia do Norte vem pesquisando sobre criptomoedas desde 2013 e que provavelmente o dinheiro envolvido nesses ataques à indústria do Bitcoin seja para financiar o governo.

O argumento é válido, visto que seria uma ótima alternativa para Coréia do Norte contornar as sanções econômicas que vem sofrendo desde o primeiro teste nuclear, em 2006. Além disso, o embargo foi estendido em outras duas opotunidades, em 2009 com armas nucleares e transações econômicas e em 2013, onde foi declarado que quem ajudasse a Coréia do Norte também sofreria embargo. Foi justamente depois dessa última que começaram as evidências de envolvimento da Coréia do Norte com o Bitcoin.

Apesar de atribuir a culpa do WannaCry ao país ter sido um exagero, não se deve desconsiderar o poderio do país, que além de desafiar o mundo com armas nucleares tem encontrado o ciberespaço como uma alternativa de se fortalecer militarmente.

Nem vídeo games deixam de ser alvo de espionagem

Com toda essa jogatina nos EUA, em 2010 foi constatado que os cidadãos estado-unidenses jogam em média 13 horas por semana. Porém a tendência foi que esse número crescesse , pois essa pesquisa apenas contemplou jogos de PC e console e foi justamente a partir desse ano que começou a popularização dos smartphones.

O fato foi confirmado em uma pesquisa que constatou que as pessoas que residem nos EUA passam em média 2 horas e 38 minutos por dia em smartphones, o que corresponde a mais ou menos 19 horas por semana. Essa mesma pesquisa revelou que dentre o tempo em que as pessoas passam usando smartphones, a maior parte deles é jogando (32%), tempo maior até do que usando Facebook (18%).

Com esses dados em mente, não é difícil entender porque jogos eletrônicos passaram a ser considerados um cenário importante a ser espionado. Com isso, nossas horas de lazer passaram a ser alvo do big brother governamental.

Fato esse que foi comprovado dentre os documentos vazados por Snowden. Neles há a confirmação de que agentes estavam se infiltrando em jogos populares como World of Warcraft afim de observar o comportamento dos jogadores e coletar dados sobre eles. A “ameaça” foi até registrada oficialmente em um documento intitulado Exploiting Terrorist Use of Games & Virtual Environments.

Com a evolução de consoles, os mais populares hoje em dia (PlayStation, Xbox e Nintendo Wii) utilizam conexão com a internet para seus jogos.

O Xbox tem vários recursos que podem ser explorados para vigilância. A Microsoft apostou numa nova abordagem, através do Kinect, para, através de uma câmera, captar os movimentos das pessoas e reproduzir esse movimento nos jogos, substituindo o joystick. Além disso, há vários funcionalidades que utilizam comandos de voz.

Quando membros do ISIS atacaram Paris em novembro de 2015, houve uma suspeita de que eles tenham usado o PlayStation Network (PSN) para combinar o ataque. O chat do PlayStation 4 possui criptografia e é difícil de ter acesso às informações, até mesmo para a NSA.

Além de jogos de PC e console, um jogo que fez enorme sucesso assim que começaram a surgir os jogos para smartphone foi Angry Birds. Esse com certeza não poderia estar de fora dos planos de espionagem da NSA. No momento em que um aplicativo de celular é baixado, tanto no Android quanto no iOS, há uma advertência de quais informações do celular serão compartilhadas e quais autorizações no sistema o aplicativo poderá fazer mas a ânsia em desfrutar do jogo muitas vezes faz o usuário não se atentar a isso.

Os dados compartilhados no jogo eram direcionados para propagandas, de onde a Rovio, empresa fundadora do jogo, levantava seus fundos. A agência de espionagem se aproveitou disso para armazenar informação dos usuários que jogavam Angry Birds, que não eram poucos. As informações eram coletadas a partir das propagandas que apareciam durante o jogo. A Rovio porém não gostou dessa história e reconheceu que iria reavaliar seu modelo de propaganda. Outro jogo popular que não escapou de ter os dados enviados para propagandas no jogo cair nas mãos da NSA foi Candy Crush.

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Capa da MAD em alusão à espionagem da NSA ao jogo Angry Birds. 
Fonte: http://www.madmagazine.com/blog/2014/01/28/angry-birds-nsa-edition

Mas o caso mais recente de espionagem em jogos eletrônicos é com a febre do momento: Pokémon Go. Já é de conhecimento a história por traz da empresa responsável pelo jogo. Em resumo, John Hanke trabalhava em relações no exterior para o governo dos EUA e fundou uma empresa em 2001 que desenvolveu um produto chamado Earth, que foi comprado pelo Google em 2004 e renomeado de Google Earth. Em 2010 John fundou a Niantic dentro do Google e em 2015 a empresa passou a não fazer mais parte da Google. Foi quando foi desenvolvido o Pokémon Go.

O aplicativo requer várias permissões por parte do usuário, que no fim das contas acaba dando acesso total à sua conta de e-mail para poder jogar. A empresa até reconheceu que requisita mais permissões do que deveria e iria corrigir isso. Apenas um “pequeno engano”. Até mesmo já foram feitos estudos de análise forense no aplicativo e algumas ferramentas já conhecidas da área foram atualizados para contemplar o aplicativo.

Jogos eletrônicos, antes considerados apenas como lazer, tem evoluído muito e se tornou mais uma forma de comprometer a privacidade das pessoas. Além de redes sociais e chats também não estamos seguros com simples jogos. Em tempo, ainda possuo um console de Super Nintendo então não tenho esse tipo de preocupação enquanto jogo meu Super Mario World.

O fim do papel moeda

Com a facilidade para realizar pagamentos e transações financeiras por meios eletrônicos, seja em máquinas de cartão de crédito/débito, seja pelo celular, fica a pergunta: precisamos mesmo de cédula?

Foi o que pensou o governo da Dinamarca em 2015, propondo acabar com a circulação de papel moeda até 2016. A medida é uma solução para cortar consideráveis custos administrativos mas foi pensada também de acordo com os hábitos da população. Isso porque segundo a Comissão de Pagamentos do país, todos os adultos possuem cartão de crédito/débito e desde os anos 90 os pagamentos utilizando dinheiro físico caíram incríveis 90%.

Esses dados contribuíram para que o Banco Central Dinamarquês parasse de imprimir notas e produzir moedas. Também contribuíram para que muitos bancos deixassem de armazenar dinheiro. Apenas zeros e uns.

Não muito longe dalí, na Suécia, a tendência econômica também passou a ser seguida. Em algumas bancas de jornais, cinemas e bares o cartão de crédito passou a ser obrigatório e em alguns lugares nem são aceitos mais moedas e notas. Até mesmo alguns ônibus por lá recusam dinheiro.

Outro país que decidiu adotar a idéia foi o Equador. Além das reformas financeiras para acabar com a farra dos banqueiros, desde 2014 o país colocou em prática um sistema de dinheiro eletrônico. Se baseano em no fato de que nem todos no país tinham um conta bancária mas todos tinham um celular, foi feito um sistema de transferência financeira através do uso de aparelhos celulares.

Sem haver necessidade de internet, é possível abrir uma conta discando *153#, a partir de então as transações podem ser realizadas através do uso de mensagens.

Apesar de parecer uma idéia revolucionária e aparentar diminuir os custos, há alguns interesses por trás dessas medidas: na Dinamarca, colocar seu dinheiro no banco custa 0.75% em juros. A idéia é evitar essa taxa investindo ou gastando o dinheiro, afim de movimentar a economia local. Com isso percebe-se que é uma medida do Estado controlar a economia.

Essa idéia também chegou ao Brasil, havendo inclusive uma audiência pública para um projeto de lei que extinguisse o dinheiro em espécie no país.

 

O Whatsapp vale mesmo $19 bilhões?

Um inimigo das operadoras de celular atualmente são os aplicativos de mensagem instantânea, possibilitando envio de mensagens pela internet, fazendo com que as operadoras deixem de lucrar com o envio de SMS. O mais famoso deles é o Whatsapp, que foi lançado em 2009 por Brian Action e Jan Koum, na época, empregados da Yahoo!.

uma matéria no El País que conta um momento interessante na história que inspirou a criação do aplicativo. Koun, que morava na Ucrânia na época que estava sob regime comunista, percebia seus pais conversando sussurrando com medo dos delatores e temendo usar telefone com medo das conversas serem interceptadas. Juntando isso ao fato do próprio Koun ter declarado que na época vivia sem publicidade, onde as pessoas vendiam de boca em boca, pensou em uma forma de comunicação sem anúncio nem intermediários.

A partir dessa idéia o Whatsapp foi lançado em 2009 como um aplicativo de chat com um servidor central. Na época produzir serviços peer-to-peer não era um assunto tão badalado, porém já conhecido. O aplicativo se popularizou e em decorrência disso, por possuir um servidor central, foi necessário um investimento em escalabilidade para atender a demanda dos usuários.

Com o passar dos anos e o aumento do número de usuários pela simplicidade do aplicativo e pelo fato de não possuir anúncios, o grande segredo passou a ser a escalabilidade, gerando até palestras sobre como eram suportadas tantas conexões por parte do serviço.

Tudo bem, apesar do serviço ser bom não seria necessário tanto investimento se funcionasse de maneira descentralizada, além de melhor privacidade pelo fato dos dados não ficarem retidos em um único servidor. Mas além do ótimo desempenho, o Facebook estava percebendo que os jovens estavam preferindo outras alternativas para divulgarem suas vidas, como Snapchat e… Whatsapp.

Outro ponto importante foi que os dados mostravam que o Whatsapp era amplamente usado em países como Índia, Brasil e México, considerados mercados emergentes. O gráfico abaixo ilustra bem o quanto o Whatsapp estava sendo usado em relação a outros aplicativos populares.

Esses dados logo tiveram as atenções voltadas para o Facebook, que tem grande parte de seus lucros voltados a dados dos usuários. Outra empresa que teve muito interesse em adquirir o aplicativo foi o Google, que também lucra da mesma forma. O Google inicialmente fez um oferta de $1 bilhão, recusada pelo Whatsapp. Já o Facebook, sedento pela aquisição de tantos dados de usuarios, em uma medida desperada, fez uma oferta de $19 bilhões e dessa vez o Whatsapp não teve como recusar. O valor foi pago da seguinte forma: $4 bilhões em dinheiro, $12 bilhões em ações do Facebook e $3 bilhões em unidades de ações restritas concedidas aos dois fundadores.

Para se ter uma idéia da vontade das grandes empresas de adquirirem tantos dados de usuários, o Google considerou cobrir a oferta de $19 bilhões. Se o valor pago pelo Facebook já foi uma medida desesperada, essa então nem se fala.

É muita quantia de dinheiro envolvida! E tudo isso para que? Para um simples aplicativo de chat. Todo o valor envolvido foi pensando em marketing, em investimento em áreas geográficas, em utilização de dados dos usuários. Há quem tenha achado toda essa negociação espetacular, mas Internet não é business.

Uma visão crítica sobre tudo isso pôde ser percebido por Peter Sunde, um dos fundadores do PirateBay, em sua ótima entrevista concedida à Motherboard. O foco da entrevista é sobre Internet Livre e possui algumas frases de impacto como “A internet de hoje é uma merda. Não funciona. Provavelmente nunca funcionou direito, mas agora está pior que nunca.” e “Parem de tratar a internet como algo diferente e comecem a focar no que vocês querem que a sociedade seja.”.

Peter Sunde cita o Whatsapp na entrevista dizendo que a aquisição do Facebook pelo aplicativo mostra que na Internet vemos “grandes quantias de dinheiro trocadas por nada” e ainda complementa que  “por isso a Internet e o capitalismo se amam tanto”.

Não há como negar que foi uma quantidade absurda investida em um simples aplicativo. O capitalismo, além de causar grande impacto na sociedade está invadido também a Internet com grandes negócios como esse. Por isso é sempre bom estar de olhos abertos para as “causas sociais” promovidos pelo Google e Facebook, tenham certeza que há uma estratégia de investimento por trás disso.

Para finalizar, vale lembrar, como mostrado na matéria do El País citado no começo do texto, que Acton tentou trabalhar no Facebook em 2009 e a empresa o rejeitou. Anos depois aí está ele vendendo um simples aplicativo pra empresa por uma quantia bilionária.

Revisado em 09/11/2017

As lambanças administrativas que fizeram a Oi pedir ajuda do governo

A Oi entrou com um processo de recuperação judicial. Com uma dívida que acumulou R$ 65 bilhões ao longo dos anos, a empresa não vê outra saída a não ser recorrer à ajuda do governo e pedir dinheiro público para socorrer as suscessivas lambanças cometidas pelos responsáveis por gerir a empresa.

Com o fatiamento da telecomunicação no Brasil a maior parte ficou com a Telemar, que segundo a Teletime tinha a seguinte constituição: BNDESpar, com 25%, Fundos (Previ, Sistel, Petros, Funcef e Telos) com 19,9% e empresas brasileiras, com 55,1%. As empresas que constituem este grupo são: Aliança do Brasil (5%), Brasil Veículos (5%), AG Telecom (9%), Inepar (9%), Macau (9%), GP (9%) e grupo La Fonte (9%). Sendo essa última controlada pelo Grupo Jereissati.

Algum tempo depois, dentre essas empresas, a Inepar e a Macau deixam o negócio, abrindo caminho para dois novos acionistas: o Banco Opportunity, de Daniel Dantas (trazendo junto com ele o Citibank e os fundos de pensão) e o BNDES. Mas esses dois novos acionistas já tinham sua fatia de outra concessionária, a Tele Centro Sul, infringindo as regras da Anatel.

Com esse entrave, a Telemar ficou impossibilitava de entrar no mercado de telefonia móvel. Para contornar essa situação, os próprios acionistas montaram a empresa de telefonia celular Oi para participar do leilão de frequencias da Anatel, vendendo, em seguida, a companhia para a própria Telemar pelo valor simbólico de 1 real. Nesse pouco tempo, a Oi já havia contraído uma dívida de R$ 4,7 bilhões, assumida da empresa que a comprou, somando à dívida que já tinha e ultrapassando os R$ 10 bilhões.

Posteriormente, houve uma proposta de reorganização societária realizada em 2006 que durou mais de 1 ano e acabou rejeitada pelos acionistas com ações preferenciais. Durante as discussões se argumentava que as medidas seriam para favorecer os seus controladores e não a empresa em si. Mais detalhes sobre essa reorganização pode ser vista aqui. Acreditam que durante essa discussão por mais de 1 ano, a empresa perdeu uma importante janela de capitalização.

Outro episódio determinante para a dívida da Oi foi a fusão com a Brasil Telecom (BrT). Em 2008, os sócios chegaram a um acordo à respeito de pendências judiciais, resultando na saída do Citibank e da GP. Outro que saiu foi o Opportunity, ficando livre de processos judiciais movidos contra ele, aumentando mais R$ 4 bilhões no passivo judicial da Oi. A “supertele”, como ficou sendo chamada após a fusão entre as duas empresas, agora era controlada por Jereissati (através da La Fonte Elecom) e Sérgio Andrade, da Andrade Gutierrez (através da AG Telecom).

Uma curiosidade desse episódio é que a operação para resultar na fusão não era permitida pelas regras do setor de telecomunicações. Para isso foi feito uma modificação no Plano Geral de Outorgas (PGO), um decreto que impedia que duas concessionárias de telefonia tivessem o mesmo controlador. O presidente na época, Lula, assinou um decreto que fez essa modificação, como argumento, entre outros, de que beneficiaria os interesses sociais e econômicos do país. A medida então possibilitou que o negócio fosse realizado, contando ainda com grande investimento utilizando dinheiro público através de bancos estatais, fundos de pensão e do BNDES.

Em 2011, mais uma manobra administrativa resultou no crescimento da dívida: a entrada da Portugal Telecom no capital da empresa, assumindo participação em torno de 25%. Com a entrada da companhia portuguesa, o grupo Oi teve um aumento da dívida, chegando a R$ 35 bilhões. Para piorar, em 2013 foi anunciada a fusão da Oi com a Portugal Telecom, onde a Oi assumiu a dívida da empresa portuguesa para que o negócio fosse consolidado. Juntando a isso, a Portugal Telecom tomou um calote de quase 1 bilhão de euros do Banco Espírito Santo, maior banco privado de Portugal. O prejuízo acabou respingando na Oi, contribuindo para o aumento de sua dívida.

Com o desgaste entre as duas empresas e com uma dívida que chegava a quase R$ 48 bilhões, os ativos da Portugal Telecom foram vendidos para a francesa Altice em 2014. De lá pra cá, com a desvalorização cambial, a desaceleração econômica e o custo pesado do endividamento, a Oi viu sua dívida subir para R$ 52 bilhões e quando se deu conta, viu que não tinha como abater essa dívida. A “grande empresa” então teve que pedir ajuda do governo para usar dinheiro público para salvá-la após suscessivas lambanças administrativas.

Após toda a história percebemos um caso de uma empresa que acumulou dívidas ao mesmo tempo em que isso não afetou a fortuna pessoal de Carlos Jereissati, Daniel Dantas e Sérgio Andrade. Esse texto teve como base a matéria da versão impressa da Carta Capital, cuja matéria é capa da revista, cuja leitura eu recomendo.

Revisado em 09/11/2017