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O já lucrativo ciberataque a hospitais agora tem como alvo o Big Data Médico

O ano de 2018 está quase no fim. O tempo está correndo e algumas empresas ainda não deram a devida atenção à Segurança da Informação em seu ambiente corporativo. Essa insistência em querer menosprezar, ou até mesmo ignorar, o tema vem trazendo resultados cada vez mais impactantes na confiança do armazenamento de nossos dados pessoais em servidores computacionais.

A preocupação sobre o armazenamento deve ser redobrada quando esses dados possuem informações sensíveis. É com esse pensamento que muitos ataques de Ransomware resolveram adotar como alvo hospitais.

Em dezembro de 2016 foi escrito um texto neste blog sobre o quanto os ataques de Ransomware estavam ganhando evidência. Desde atenção os ataques passaram a ser mais recorrentes, tanto que de Janeiro de 216 a Dezembro de 2017 o maior alvo de ataque de Ransomware foi o setor médico, conforme mostra o gráfico.

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Fonte: https://www.zdnet.com/article/ransomware-operators-select-the-healthcare-industry-as-a-top-target/

Enquanto esse tipo de ataque vinha ocorrendo, pesquisadores das mais diversas áreas vinham utilizando um conceito que vinha fortalecendo suas pesquisas: o Big Data.

O Big Data é um fenômeno em diversas áreas. Em termos tecnológicos, pois faz requer alta tecnologia para o uso de ferramentas análise e alta precisão dos algoritmos. Em termos culturais, pois faz uma análise precisa dos dados para identificar padrões e melhorar modelos econômicos, sociais, técnicos e legais. Por fim, em termos científicos, pois toda essa informação pode gerar observações e conclusões que antes poderiam ser impossíveis.

Com cada vez mais utilização da tecnologia na medicina, foi inevitável que surgisse o Big Data Médico para lidar com a complexidade dos dados envolvidos na medicina. Dentre as várias variáveis contidas no Big Data Médico estão registros de reclamações administrativas, registros clínicos, cartão eletrônico de saúde, biometria, dados do paciente, dentre outros.

Devido à quantidade de informações e à sua sensibilidade, os cibercriminosos tem focado em obter dados de Big Data Médico para serem comercializados na darknet e elas tem valido 10 vezes mais do que cartões de crédito. Essas informações à respeito da comercialização do Big Data Médico foram publicadas em um artigo.

É preciso ficar atento a essa ameaça não só no mundo, pois no Brasil já tivemos casos de ataques a hospitais. Não especificamente de Ransomware, mas invasão de servidores. Pior ainda: houveram alterações dos registros por parte dos atacantes.

O Tecmundo fez uma matéria contando que hackers estavam invadindo o Cadastro Nacional de Usuários do Sistema Único de Saúde (CADSUS) e alterando os dados dos pacientes, adicionando uma data de óbito. Com isso, eles estavam “matando” os pacientes.

A adulteração dessa informação pode trazer grandes consequências para uma pessoa, visto que ela pode deixar de receber benefícios por constar no sistema que ela já morreu, sendo que isso não é verdade.

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Fonte: https://www.tecmundo.com.br/seguranca/135116-hackers-alteram-dados-cidadaos-obito-sistema-sus.htm

Se o simples fato de invadir um sistema de saúde para adulteração de dados se mostrou uma prática simples para atacantes, imagine o quanto de informação poderia ser roubada visto que essa tem sido uma tendência mundial, conforme explicado. Além disso, vale lembrar que está correndo o prazo para a LGPD entrar em vigor, o que deveria reforçar a preocupação com Segurança nesse setor aqui no país.

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Saúde pública: um importante resultado do investimento nas classes baixas

Um fato importante aconteceu há um mês atrás ao sair o resultado do vestibular da Unicamp. O fato em questão foi à respeito do curso de Medicina, o mais concorrido da universidade, que deu o título da matéria no Estadão: 88,2% dos aprovados em Medicina na Unicamp são de escola pública. A grande importância desse acontecimento se dá pelo seguinte fato: a Unicamp não adota cotas, e sim uma bonificação, e pela primeira vez os estudantes de escola pública superaram os de escola particular.

Isso foi acontecer logo com a classe de trabalhadores que mais vem criticando os programas sociais de investimento nas classes mais baixas. Vinha-se repetindo muitas vezes pelos defensores desses programas, como o Bolsa Família, que isso seria um investimento para que as pessoas que se encontravam nessa classe tivessem mais chance se inserir no mercado de trabalho. Esse acontecimento no resultado do vestibular da Unicamp constatou exatamente isso, e não que seria uma “esmola para pobre ganhar dinheiro sem ter que trabalhar”, como argumentavam os contrários ao programa.

Ser médico é encarado por muitos, não só no Brasil, como uma profissão de status e alguns entram na área buscando essa imagem. Importante ressaltar que eu disse ALGUNS, claro que tem muita gente que segue a profissão por realmente gostar de medicina e isso pode ser perceptível na qualidade do tratamento por parte dessas pessoas.

Um acontecimento repugnante, e relativamente recente, protagonizada por essa classe foi com a recepção hostil aos médicos cubanos no Brasil, representado pela foto que marcou o momento:

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A foto representa a chegada de médicos vindos do exterior para trabalhar em áreas que não despertavam interesse dos médicos locais, mas por esses médicos terem vindo de um país economicamente pobre, foram chamados de “escravos” e ainda disseram que as médicas cubanas “tem cara de empregada”. Declarações que representam o pensamento neoliberal voltado ao status social.

É possível traçar um paralelo com o médico protagonizado por Tom Cruise em De Olhos Bem Fechados (1999) de Stanley Kubrick. No filme Tom Cruise protagoniza um médico que usa de seu status para tentar conseguir o que quer e acaba invadindo uma reunião de uma sociedade secreta composta de pessoas ricas sem ser convidado por achar que tem status suficiente pra fazer parte da sociedade secreta. Quem assistiu ao filme viu como ele comumente mostra sua identificação de médico ou oferece dinheiro para conseguir o que quer.

images.duckduckgo.com

Com esses dois cenários é possível perceber os dois lados da medicina. O crescimento do interesse da população de classes mais baixas pela medicina pode ser indicativo de “socialização” da medicina e pode mudar a maneira como é vista a profissão, com médicos que tem como prioridade tratar os problemas de saúde das pessoas e não com médicos que preferem se valer do seu status. Certamente quem não está gostando disso é adepto dos médicos Tom Cruise.

Revisado em 09/11/2017