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Twitter não faz parte do PRISM… mas tem acordos com a iniciativa privada

Com o programa PRISM ficou acordado para que algumas empresas enviassem os dados de seus usuários para a NSA, o órgão público responsável pela segurança nacional dos Estados Unidos. Dentre essas empresas estão Microsoft, Google, Facebook, Yahoo!, Apple, Youtube, AOL, Paltalk e Skype.

O que chama a atenção é a ausência do Twitter nessa listagem. A rede social, que em 2013, ano da revelação do programa de vigilância, atingiu a marca de 200 milhões de usuários, poderia ser considerada uma boa fonte de informação para o governo. Uma matéria do The Verge expõe alguns argumentos que possam justificar essa atitude por parte da empresa.

Primeiramente, a empresa se defende justificando que o Twitter ter um histórico de não cooperação com o governo por respeitar que a rede social seja um lugar com liberdade de expressão e neutralidade. De fato a empresa tem lutado contra as intimações sofridas pelo governo e possui uma baixo índice de atendimento a requerimento de informação. se comparado  às outras gigantes do setor.

Porém, a matéria do The Verge cita que o Twitter não possui muita informação relevantes de seus usuários, e que isso pode ser a causa do baixo número de requerimento de informações. Além disso, grande parte do que os usuários tweetam é público, o que a meu ver pode facilitar a coleta de dados com big data, por exemplo.

Essa idéia, aliás, fez com o que Twitter fizesse uma parceria com uma startup de Nova Iorque chamada Dataminr para desenvolver uma ferramenta de mesmo nome que usa algoritmos de aprendizagem de máquina para identificar notícias e alertar jornalistas.

O desenvolvimento da ferramenta teve como foco prover conteúdo para os jornalistas mas sua eficiência se destacou a ponto do FBI começar a usá-la para monitorar criminosos e grupos terroristas. Porém, para aumentar o confronto entre o Twitter e os órgãos do governo, a prática foi considerada ilegal pois o termo de serviço impede o uso da ferramenta para fins de espionagem.

A CIA chegou a ter acesso autorizado à ferramenta por investir na empresa In-Q-Tel, que investiu inicialmente no projeto do Dataminr e pôde usar o piloto do programa, porém não teve mais acesso à ferramenta com o término desse piloto.

Desde o seu lançamento, o Dataminr tem sido usado por alguns dos grandes veículos jornalísticos como CNN e New York Times. Por conta disso o diretor da NSA, John C. Inglis mostrou insatisfação pelo Twitter compartilhar seus dados com o setor privado mas recusar o setor público.

Apesar de todas as críticas à vigilância realizada pelos órgãos de inteligência dos EUA, informações pertencentes ao setor público devem obrigatoriamente ter transparência, já o setor privado não dá essa garantia.

Não se sabe exatamente a efetividade disso vindo de órgãos de inteligência por tratarem de tantas informações confidenciais, ainda mais pelo fato de PRISM ter sido realizado secretamente até Snowden ter decidido fazer essa revelação. Apesar da NSA ter decidido fazer um relatório de transparência, ainda não se exatamente a seriedade disso.

Não estou aqui defendendo a NSA e a CIA e sim questionando o Twitter se ele realmente zela tanto pela privacidade de seus usuários, disponibilizando os dados para outras empresas.

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Caso Apple x FBI mostra que muitos usuários fingem se preocupar com privacidade

O FBI pediu que a Apple implementasse uma vulnerabilidade para que eles pudessem acessar os dados criptografados do iPhone 4S pertencente ao homem de Kentucky que foi preso. E a Apple se recusou! Quando fiquei sabendo disso confesso que fiquei surpreso mas me limitei a pensar “por que a Apple decidiu fazer isso agora?” e não dei muita bola para o caso. O que me deixou mais surpreso foi o burburinho que esse assunto gerou, e o mais bizarro: alguns enalteceram a Apple “por se preocupar com a privacidade dos usuários”. Wtf, dude?

Fiquei só acompanhando as discussões na internet sem me manifestar e pelo que observei constatei uma coisa que já vinha observando a um tempo: algumas pessoas só se manifestam sobre um determinado assunto à respeito de tecnologia quando envolve uma grande empresa, nesse caso foi a Apple.

Logo a empresa da maçã, que vem constantemente contribuindo com informação dos usuários para as empresas ianques de segurança. Antes de dizer ‘não’ ela já tinha contribuído 70 vezes com os órgãos federais. E não lembro das pessoas terem se interessado em discutir sobre a Apple nesses casos, só se manifestaram quando tiveram que elogiar. A empresa, inclusive, faz parte do PRISM, um programa de vigilância da NSA em conjunto com outras grandes empresas como Google, Yahoo! e Microsoft. Isso é de conhecimento de todos, pois o programa foi exposto no vazamento de Snowden e  não lembro de ter visto as pessoas se manifestarem à respeito da conduta da Apple nesse caso.

Não vou adentrar no assunto de segurança em si, mas sim para chamar atenção em como muitos usuários da Apple pareciam não ligar para privacidade enquanto a empresa esteve contribuindo com o governo todo esses tempos. O argumento é de que a privacidade não interessa, pois os produtos da Apple são de ótima qualidade e não iriam deixar de serem usados por “apenas isso”. E agora quando a empresa decide não contribuir em UM caso vira exemplo de preocupação de privacidade?

Temos organizações open source (o oposto do que a Apple faz, que é fazer produtos caixas-preta) que constantemente se preocupam com segurança e nenhuma delas parece ganhar respeito das pessoas que resolveram falar sobre segurança nesse caso. Inclusive houve um caso que ocorreu quase que paralelo a esse episódio, de que o Tor estava sob ameaça por proteger os dados dos usuários, o que aliás vem fazendo sempre e não ganham tanta atenção por isso.

Também, não é de se esperar muito de usuários de uma empresa que comemoraram tanto quando ela foi inaugurada no Brasil, inclusive dizendo por causa disso que “é brasileiro com muito orgulho, com muito amor”. Se quiserem ver essa cena, procurem por “inauguração apple brasil” no Youtube, me recuso a colocar algum vídeo desses nesse blog, tamanho o ridículo.

Espero que esse caso tenha chamado atenção de pessoas, não só os que defendem a ideologia open source e se preocupam com privacidade. Minha opinião é de que se vocês realmente se preocuparem com privacidade, deixem de usar produtos da Apple. Se o argumento é de que os produtos são de ótima qualidade, fica a pergunta: diante de todos esses escândalos, vale mesmo a pena se preocupar tanto com qualidade e perder tanto em privacidade?

Revisado em 09/11/2017